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Definição de Métricas e Regra de Decisão Pré-Registrada — Fase CBL Act

O que você vai encontrar aqui: Formalização matemática e conceitual das métricas comportamentais (M1 a M9), convenções de cálculo, regras de tratamento para denominadores nulos e matriz de decisão preestabelecida para validar a arquitetura Evidence-First no YouTube.


1. Convenções e Notação Matemática

Para todas as fórmulas definidas neste documento, adota-se a seguinte notação formal:

  • s ∈ S: Sessão individual associada a um participante pseudonimizado P.
  • cond(s) ∈ {A, B}: Condição experimental atribuída à sessão s (Condição A: controle com velocímetro/score; Condição B: intervenção Evidence-First).
  • fase ∈ {baseline, assisted, transfer}: Fases do experimento (Fase 1: basal; Fase 2: assistida; Fase 3: transferência).
  • i ∈ I_p: Item apresentado na fase p.
  • c ∈ C_i: Alegação individual presente no item i.
  • d(s, c, etapa): Decisão registrada pelo participante para a alegação c, onde etapa ∈ {pre_evidence, final}.
  • gt(c) ∈ {supported, contradicted, misleading, insufficient}: Rótulo objetivo de verdade-terreno (ground truth) da alegação c, definido por agências profissionais de checagem.
  • o(d) ∈ {0, 1}: Função indicadora de acurácia factual (o(d) = 1 se d = gt(c); o(d) = 0 caso contrário).
  • conf(d) ∈ [0, 100]: Grau subjetivo de confiança expresso pelo participante de que sua decisão está correta (escala de 0% a 100%).
  • p_conf(d) = conf(d) / 100 ∈ [0.0, 1.0]: Grau de confiança normalizado em probabilidade decimal.

2. Catálogo Detalhado de Métricas Comportamentais (M1 a M9)

M1 — Taxa de Inspeção de Evidências (Evidence Inspection Rate - EIR)

  • Definição: Proporção de alegações visualizadas na fase assistida cujos cartões de evidência factual correspondentes foram explicitamente expandidos pelo usuário ao menos uma vez.
  • Fórmula de Cálculo:
    EIR_s = (Alegações assistidas com expansão de evidência >= 1) / (Total de alegações visualizadas)
    
  • Unidade de Análise: Participante individual por sessão s.
  • Agregado por Condição: Média aritmética EIR_médio acompanhada da proporção de sessões em que EIR_s > 0.
  • Tratamento de Denominador Nulo: Se nenhuma alegação for registrada como visualizada na fase assistida, a sessão é considerada inválida para M1, excluída do cálculo e contabilizada no relatório de desvios.
  • Condições Aplicáveis: Condição A (expansão do link "Ver fontes") e Condição B (expansão dos Evidence Cards).
  • Interpretação: Mensura se a interface estimula a leitura e inspeção crítica das evidências antes do julgamento final.
  • Mitigação de Ruído: Cliques repetidos em sequência rápida sem tempo hábil de leitura são filtrados cruzando o evento com o Tempo até Conclusão (TTC).

M1b — Taxa de Abertura de Fontes Externas (Source Open Rate - SOR)

  • Definição: Proporção de alegações na fase assistida em que o participante clicou no link externo para abrir a matéria original do veículo de checagem em nova aba.
  • Fórmula de Cálculo:
    SOR_s = (Alegações com clique em link externo de fonte >= 1) / (Total de alegações visualizadas)
    
  • Unidade de Análise: Participante individual por sessão s.
  • Tratamento de Denominador Nulo: Idêntico ao critério de M1.
  • Condições Aplicáveis: Condições A e B.
  • Interpretação: Avalia o comportamento de leitura lateral espontânea (recorrer à fonte primária externa).

M2 — Taxa de Interação com Perguntas Reflexivas (Reflection Interaction Rate - RIR)

  • Definição: Taxa de engajamento ativo com as perguntas provocativas de reflexão crítica apresentadas na interface.
  • Fórmula de Cálculo:
    RIR_s = (Perguntas reflexivas expandidas ou respondidas) / (Total de perguntas reflexivas visualizadas)
    
  • Unidade de Análise: Participante individual por sessão s.
  • Tratamento de Denominador Nulo: Caso nenhuma pergunta reflexiva tenha sido apresentada na sessão, a métrica é assinalada como não aplicável (null).
  • Condições Aplicáveis: Estritamente Condição B (a interface de controle com velocímetro da Condição A não possui perguntas reflexivas).
  • Interpretação: Ações de fechamento voluntário sem resposta contam no denominador como visualizadas, mas não pontuam no numerador como engajamento positivo.

M3 — Taxa de Revisão Pós-Evidência (Evidence Revision Rate - ERR)

  • Definição: Frequência com que o participante altera sua percepção ou voto prévio após expandir e inspecionar as evidências factuais.
  • Fórmula de Cálculo:
    ERR_s = (Alegações elegíveis em que voto_final != voto_prévio) / (Total de alegações elegíveis)
    
    Nota: Alegações elegíveis são aquelas com registro de voto prévio, voto final e ao menos um evento de expansão de evidência entre ambos.
  • Subtaxas de Qualidade:
  • Revisão Construtiva (ERR_correta): Participante estava incorreto na avaliação prévia e mudou para o julgamento correto após ler as evidências.
  • Revisão Prejudicial (ERR_prejudicial): Participante estava correto e mudou para incorreto após ler as evidências.
  • Tratamento de Denominador Nulo: Se não houver alterações de voto (voto_final == voto_prévio para todas as alegações), define-se ERR = 0 com nota explicativa.

M3b — Taxa de Decisão Prematura (Premature Decision Rate - PDR)

  • Definição: Proporção de decisões finais registradas de modo impulsivo, sem que nenhuma evidência factual tenha sido aberta ou inspecionada para aquela alegação.
  • Fórmula de Cálculo:
    PDR_s = (Alegações finalizadas com zero expansões de evidência) / (Total de alegações finalizadas)
    
  • Unidade de Análise: Participante individual por sessão s.
  • Interpretação: Avalia a complacência passiva do usuário. Valores altos na Condição A comprovam a tendência prejudicial de acatar o velocímetro/score sem reflexão analítica.

M4 — Calibração de Confiança (Brier Score, Overconfidence Gap e ECE)

  • Definição: Aferição matemática da harmonia entre o grau de certeza declarado pelo usuário e a veracidade empírica de seus acertos.
  • Indicadores Numéricos:
  • Brier Score (BS):
    BS = (1 / N_decisões) * Soma((confiança_normalizada - acerto_binário)²)
    
    (Valores próximos de 0 representam calibração ideal; valores próximos de 1 indicam forte descalibração).
  • Gap de Superconfiança (OG - Overconfidence Gap):
    OG = (Média da confiança declarada) - (Taxa média de acerto factual)
    
    (Valores positivos revelam ilusão de certeza em respostas erradas).
  • Expected Calibration Error (ECE): Particionamento das predições em faixas de probabilidade para calcular a diferença média ponderada entre acurácia e confiança.
  • Regra de Estabilidade Amostral: O ECE é omitido caso o total de decisões avaliadas seja inferior a 100 (N_decisões < 100), prevenindo distorções aritméticas em amostras pequenas.

M5 — Acurácia Final e Delta de Aprendizado (Delta-Accuracy)

  • Definição:
  • Acurácia por Fase (Acc): Percentual de decisões finais concordantes com a apuração das agências de checagem.
  • Delta de Acurácia Intraparticipante (Delta_Acc):
    Delta_Acc = Acurácia_fase_assistida - Acurácia_fase_basal
    
  • Interpretação: Mede o ganho cognitivo efetivo proporcionado pelo uso da extensão frente à habilidade prévia individual da pessoa.

M6 — Acurácia na Tarefa de Transferência (Transfer Task Accuracy - TTA)

  • Definição: Percentual de acertos factuais obtido na Fase 3 (itens inéditos sem o suporte de nenhuma ferramenta), avaliando retenção de postura crítica.
  • Fórmula de Cálculo:
    TTA_s = (Acertos na Fase 3) / (Total de itens da Fase 3)
    
  • Interpretação: Testa a hipótese de que o uso contínuo da abordagem Evidence-First desenvolve competências autônomas de pensamento crítico.

M6b — Contagem de Etapas de Verificação Autônoma (Verification Steps Count - VSC)

  • Definição: Quantidade de métodos independentes de checagem (buscar data, inspecionar canal, procurar fontes externas) que o participante executou de forma autônoma na fase de transferência.
  • Valores Possíveis: Número inteiro entre 0 e 4 procedimentos relatados.

M7 — Tempo até Conclusão da Decisão (Time to Conclusion - TTC)

  • Definição: Intervalo de tempo em segundos transcorrido entre a seleção inicial da alegação na extensão e a submissão do veredito pelo usuário.
  • Métrica Sumarizada: Mediana e Intervalo Interquartil (IQR) por condição experimental.
  • Ressalva: Tempos excessivamente curtos revelam julgamento superficial; tempos desproporcionalmente longos indicam atrito de interface ou fadiga cognitiva.

M8 — Esforço Subjetivo Percebido (Single Ease Question - SEQ)

  • Definição: Avaliação de esforço relatada ao término da sessão na escala padronizada de 1 ("Muito difícil") a 7 ("Muito fácil").
  • Interpretação: Monitora a viabilidade ergonômica da extensão. A abordagem reflexiva não pode se tornar exaustiva a ponto de inviabilizar o uso no dia a dia.

M9 — Taxa de Comportamento Investigativo (Investigation Behavior Rate - IBR)

  • Status Metodológico: Métrica exclusivamente de pesquisa e sumarização acadêmica. É terminantemente proibido exibir este valor como nota, score ou índice de reputação para a pessoa usuária.
  • Composição Paramétrica:
    IBR_Condição_B = (Taxa_Seleção + EIR + SOR + RIR) / 4
    

3. Regra de Decisão Pré-Registrada (Framework de Validação Act)

Para blindar a avaliação contra viés confirmatório ou interpretações arbitrárias, os limiares de sucesso foram definidos antes da coleta empírica:

Limiares Numéricos Homologados

Limiar Parâmetro Avaliado Valor de Corte Racionalidade Metodológica
θ₁ Taxa mínima de inspeção na Condição B (EIR_B) ≥ 60% A ampla maioria das alegações deve ter evidências consultadas
θ₂ Diferença mínima de inspeção frente ao controle (EIR_B - EIR_A) ≥ +20 pp A Condição B deve superar o velocímetro por margem expressiva
θ₃ Taxa mínima de revisão orientada por evidência (ERR_B) ≥ 15% As evidências devem provocar reavaliação consciente no usuário
θ₄ Engajamento mínimo com perguntas reflexivas (RIR_B) ≥ 30% Pelo menos um terço dos estímulos de reflexão deve ser interagido
δ Margem de não-inferioridade em acurácia (Acc_B vs. Acc_A) ≤ 5 pp Tolerância máxima de variação estatística em acerto geral
ρ Razão máxima permitida de tempo (Mediana TTC_B / TTC_A) ≤ 1,50 A reflexão crítica não pode demorar mais que 1,5× o veredito passivo
θ₅ Fração máxima de sessões com esforço extremo (SEQ ≤ 2) ≤ 25% No máximo um quarto dos participantes pode relatar esforço penoso
ε Variação máxima tolerada na mediana de esforço ≤ 1 ponto A usabilidade não pode degradar além de 1 ponto na escala 1 a 7

Lógica Sequencial de Classificação

A tomada de decisão segue estritamente a ordem de precedência mais cautelosa (NO-GO > INVESTIGAR > GO):

[GO] (Aprovação Plena da Arquitetura Evidence-First):
     EIR_B >= 0.60
  E  (EIR_B - EIR_A) >= 0.20
  E  ERR_B >= 0.15
  E  Acc_B >= (Acc_A - 0.05)
  E  TTA_B >= (TTA_A - 0.05)
  E  (Mediana_TTC_B / Mediana_TTC_A) <= 1.50

[INVESTIGAR] (Necessidade de Refinamento de UX):
     (Perguntas reflexivas são exibidas, mas RIR_B < 0.30)
  OU (Leitura de evidências é alta, mas sem evolução no Delta de acurácia)
  OU (EIR_B situa-se na faixa intermediária entre 0.45 e 0.60)

[NO-GO] (Inviabilidade do Paradigma ou Dano Comportamental):
     PDR_B >= PDR_A (usuários continuam decidindo sem ler evidências)
  OU (Percentual de sessões com SEQ <= 2) > 0.25
  OU TTA_B < (TTA_A - 0.05)

4. Governança e Tratamento de Desvios de Protocolo

  1. Vedação de Alteração Retroativa: Nenhum limiar numérico pode ser afrouxado ou redefinido após o congelamento oficial do protocolo de teste.
  2. Registro de Ocorrências Atípicas: Quedas de conexão, descarte voluntário de participantes ou falhas de navegador devem ser registradas com a respectiva justificativa e análise de sensibilidade (cálculo de métricas com e sem o participante afetado).

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